Custo fixo vs custo variável:
como calcular no seu negócio.

Todo dono de empresa sabe, intuitivamente, que tem despesas que chegam todo mês independente do que vender — e despesas que variam conforme o volume. Mas a maioria não usa essa distinção de forma sistemática. E sem ela, a precificação fica no chute e o ponto de equilíbrio fica desconhecido.

Entender a diferença entre custo fixo e variável não é teoria contábil. É a base para saber quanto você precisa vender para não ter prejuízo, quanto sobra de margem em cada venda e quando é seguro crescer.

Quem não sabe seus custos fixos não sabe quanto precisa faturar para sobreviver.

Custo fixo: o que está lá todo mês

Custo fixo é o que você paga independente de quanto vende. Venda zero ou venda R$200.000 — ele aparece da mesma forma na sua conta. Aluguel, folha de pessoal, internet, softwares de assinatura, pró-labore, financiamentos: tudo que tem vencimento garantido todo mês é custo fixo.

A soma dos seus custos fixos mensais é o número mínimo que o negócio precisa gerar para não operar no vermelho. Se você não sabe esse número, não tem base para tomar nenhuma decisão financeira com segurança.

Custo variável: o que cresce junto com a venda

Custo variável é o que aumenta quando você vende mais. Matéria-prima, embalagem, comissão de vendas, frete, impostos sobre faturamento — esses custos existem porque a venda existe. Se você não vender nada no mês, eles somem.

A importância do custo variável está na margem de contribuição: quanto sobra de cada venda depois de pagar o que aquela venda custou para acontecer. Esse valor é o que vai cobrir os custos fixos — e o que sobrar depois disso é o lucro.

Exemplos de custo fixo
  • Aluguel
  • Folha de funcionários fixos
  • Pró-labore do sócio
  • Softwares e assinaturas
  • Energia e internet
  • Financiamentos
Exemplos de custo variável
  • Matéria-prima / mercadoria
  • Embalagens
  • Comissão de vendas
  • Frete e entrega
  • Impostos sobre faturamento
  • Mão de obra por produção

Como calcular o ponto de equilíbrio

O ponto de equilíbrio é o faturamento mínimo para cobrir todos os seus custos. Abaixo dele, você tem prejuízo. Acima, você tem lucro. O cálculo básico é:

Fórmula do ponto de equilíbrio Ponto de equilíbrio = Custo fixo mensal ÷ Margem de contribuição (%)

Exemplo: custo fixo R$15.000 / margem de contribuição 40% = ponto de equilíbrio de R$37.500. Você precisa faturar pelo menos R$37.500 por mês para não ter prejuízo.

Por que essa distinção muda a forma de precificar

Quando você sabe sua margem de contribuição por produto ou serviço, consegue simular cenários: se vender X unidades com essa margem, cobre o custo fixo? Se der um desconto de 10%, a venda ainda contribui para o negócio? Se contratar mais um funcionário, quanto a mais precisa vender para manter o equilíbrio?

São perguntas que donos de empresa fazem o tempo todo. Com custo fixo e variável separados, elas têm resposta — em vez de serem respondidas com base em feeling.


Não é preciso formação em finanças para fazer esse cálculo. Precisa de 30 minutos, uma planilha e o compromisso de listar honestamente o que você gasta todo mês.

Exercício: liste todos os seus gastos do mês passado e classifique cada um como fixo ou variável. Some os fixos. Esse é o número que seu negócio precisa cobrir antes de gerar um centavo de lucro.

TB
Thales Bace
Fundador da BACE Group. Consultor de gestão para donos de empresa. Escreve sobre o que funciona de verdade — sem fórmula mágica.
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