Funcionário não faz
do jeito certo: o que fazer.

Uma das reclamações mais comuns que ouço de donos de empresa: "meu funcionário não faz do jeito certo". Em seguida vem a conclusão: "ele não tem perfil", "não tem comprometimento", "é difícil de encontrar gente boa".

Às vezes é isso. Mas na maioria dos casos, quando investigamos com cuidado, o problema não é o funcionário. É a ausência de um critério claro do que "jeito certo" significa.

Antes de concluir que o funcionário é o problema, responda: você já definiu por escrito o que é o resultado esperado?

As perguntas que você precisa fazer primeiro

Antes de qualquer conversa com o funcionário, responda a si mesmo:

O critério de qualidade foi comunicado de forma clara? O funcionário tem os recursos necessários para executar como esperado? Ele foi treinado com o método adequado? O feedback veio logo após o erro, ou semanas depois?

Se alguma dessas respostas for "não" ou "não sei", o problema pode não ser de atitude — é de estrutura. E estrutura é responsabilidade de quem gerencia, não de quem executa.

Problema de critério vs. problema de atitude

Problema de critério

O funcionário não sabe o que é esperado com precisão. Faz "do seu jeito" porque ninguém definiu o padrão. Solução: definir, documentar e comunicar o critério — e treinar até o padrão ser alcançado.

Problema de atitude

O funcionário sabe o que é esperado, tem os recursos, foi treinado — e ainda assim não entrega. Solução: feedback direto com consequência clara. Se persistir, é questão de fit ou de desligamento.

A diferença entre os dois é fundamental porque a solução é oposta. Tratar problema de critério como problema de atitude gera injustiça e desmotivação. Tratar problema de atitude como problema de critério gera ciclos eternos de retrabalho.

A conversa que a maioria evita

Quando fica claro que é problema de atitude, a conversa precisa acontecer. Não como desabafo — como alinhamento. Descreva o comportamento específico que está errado. Mostre o impacto que ele gera. Estabeleça o que se espera a partir de agora. Defina uma data para avaliar a mudança.

Essa conversa é desconfortável. Mas a ausência dela é pior — porque o problema persiste e o dono vai acumulando frustração enquanto o funcionário continua sem entender o que está errado.

A regra prática Nunca dê feedback genérico. "Você precisa melhorar" não instrui ninguém. "Na entrega de segunda-feira, o relatório chegou incompleto — faltou a seção de custos. A expectativa é que chegue completo até as 9h da sexta" é um feedback que orienta e pode ser acompanhado.

Funcionário que não faz do jeito certo é um problema gerenciável. Mas precisa ser diagnosticado direito antes de ser resolvido. A solução certa no problema errado não funciona.

Exercício: pense em um funcionário cujo desempenho te frustra. Antes de concluir o diagnóstico, responda: o critério foi definido com clareza? Ele tem acesso ao que precisa? Foi treinado adequadamente? As respostas vão mostrar por onde começar.

TB
Thales Bace
Fundador da BACE Group. Consultor de gestão para donos de empresa. Escreve sobre o que funciona de verdade — sem fórmula mágica.
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